sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Eu Sou Ativista da Amamentação!


                                         

Respondendo ao chamado das mamães do Blog Desabafo de Mãe, segue minha reflexão sobre a amamentação e a necessidade de sermos ativistas desta causa tão sublime. Neste pequeno relato falo sobre a ligação da amamentação com o peito que antes era enfeite, com o parto que me foi roubado, com o apoio recebido de profissionais e da família, com a volta ao trabalho e com as dores e delicias de dar de mamar!
 Sou uma ativista da amamentação pelo prazer e orgulho que sinto em amamentar meu filho, pelos benefícios que a amamentação traz para a vida da criança e também pelas dificuldades que tive que vencer para estar até hoje amamentando.
 Até ficar gravida, para mim peito servia só para enfeitar e eu usava e abusava disso. Aos 27 anos de idade eu me senti a descobridora do melhor uso do peito quando implantei 300ml de silicone de cada lado. Para mim um decote valia mais que um salto alto! Em nenhum momento pensei em deixar de amamentar por ter colocado prótese, pois se caísse, eu ergueria de novo. Só não imaginava que o uso que eu fazia deles era insignificante perto da amamentação, momento em que eu verdadeiramente me tornei esta descobridora.
Como uma amiga da lista do Parto Nosso disse, a amamentação era um vinculo que a cesárea não havia me roubado e eu resolvi busca-la com as forças que não tive (ou não soube usar) para buscar o meu parto. Amamentar se tonou um desafio, uma forma de alimentar meu filho e minha alma, de me fazer sentir capaz de cuidar daquela criança que eu havia feito, gerado, mas infelizmente, não havia parido.  
Tive muito medo do leite não descer por causa da cesárea e das próteses, mas fui abençoada com leite em abundancia e meu pequeno mamou logo que nasceu e foi aí, exatamente aí que eu comecei a entender o porquê de tantas campanhas a favor da amamentação: sonolenta, sem poder me movimentar direito por causa da cirurgia, na ânsia de coloca-lo no peito e esquecer do parto que eu não tive, ganhei um peito ferido logo na primeira noite e muita, mas muita dor ao amamentar. 
Eu rezava para não desistir e perguntava: Deus, por que um ato tão lindo, de tanto amor e doação pode me fazer sentir tanta dor?  Cheguei a pensar que aquilo tudo era uma vingança da natureza contra mim por eu não ter sentido as dores do parto ou que era uma consequência da colocação das próteses. Quase como uma resposta às minhas orações, Deus me enviou três anjos do céu para me ajudar na missão de amamentar o Daniel: meu companheiro, pai do meu filho que em todas as mamadas levantava comigo, me ajudava a fazer um charutinho do bebê e literalmente, colocava a boquinha dele no meu peito para que a boa pega (meu sonho de consumo na época) acontece de primeira; minha doula de gestação que me ensinou como pôde, antes e logo após o parto, o que era possível se passar na teoria e minha doula de amamentação, a pessoa que mais eu me alegrava em ver nos primeiros dias pós-parto, que com mãos de fada massageava meu peito e colocava meu filho para mamar.  
Os primeiros dois meses de amamentação foram uma sucessão de dor e angustia, principalmente quando eu via meu bebe regurgitando o sangue que ingeria com o leite. Ordenha manual, ordenha mecânica, concha, massagem, pomada e ainda assim amamentação ininterrupta, independente da dor. 
Voltei a trabalhar cinco meses após o parto e para não deixar meu filho com formulas e mamadeiras, chegava a abrir seis porteiras sozinha, ida e volta, para amamenta-lo. Exausta, cansada e ainda com dor, além de amamentar, ordenhava para deixa leite congelado para dar no copinho, caso eu viesse a faltar alguma hora. 
O tempo e a persistência curaram as cicatrizes e enfim entrei na lua de mel da amamentação. Hoje, ainda amamentando, vejo que fui uma pessoa abençoada e que se não tivesse tido todo o apoio em casa e a estrutura financeira que me possibilitou investir em ajuda, eu dificilmente teria conseguido. Entendi enfim o porquê de tantas mães não amamentarem e o porquê de tantas campanhas publicitárias para um país onde mães deixaram de parir e agora parecem estar deixando também de amamentar. 
Sou ativista da amamentação por que amamentar é lindo. É um momento único onde mãe e filho estão novamente ligados por um cordão de leite, em sintonia total, em um gesto de amor e doação de ambos.


5 comentários:

  1. Thaty, o apoio do maridão me fez chorar no seu relato. Lindo, lindo, lindo! Parabéns pela benção de ter aceitado esses desafios e superado para viver a lua-de-mel da amamentação. Você tocou num ponto que eu gostei muito que é aquele sentimento comum de: PORQUÊ COMIGO, DEUS? E só quando a gente supera esse questionamento é que a gente entende a razão pela qual o universo abençoa certas pessoas nesta vida, né?
    Obrigada pela participação!

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  2. Thaty,eu sei bem o que vc passou, lendo seu relato me remeto a minha própria experiência, realmente ninguém explica que o bebê não nasce sabendo mamar,comigo foi assim tb, graças a deus e tb a algumas pessoas hoje tb posso dizer que entrei na lua de mel com a amamentação, nos dois primeiros meses de vida da minha princesinha foi bem complicado ela não sabia mamar e para conseguir a pega correta vieram várias pessoas ao meu quarto de hospital, passei por todas as tentativas até ter o peito sugado numa seringa eu tive, que dor horrível senti, mas o pior era não conseguir dar de mamar para minha bebê, me senti muito incompetente e claro muito culpada, até que um anjo me foi enviado chamaram essa enfermeira do banco de leite do hospital e com muita paciência carinho e atenção dela minha filha finalmente começou a mamar, minhas lágrimas corriam de felicidade,naquela noite passei em claro dando de mamar para minha filha, depois disso recebemos alta e fomos para casa,mas a saga continuou em casa, minha bebe não engordava, fomos ao pediatra( outra anja que colocaram na minha vida) ela disse que minha filha não fazia esforço para sugar porque eu tinha muito leite e ela apenas tomava aquele leite que pingava na boca dela,foi ai que ela me apresentou a trans-lactação,foram dois meses nesse processo para minha filha conseguir mamar, eu tirava o leite em excesso, colocava num copinho e dava pra minha filha através de uma sonda junto ao bico do seio assim se ela sugasse o leite do copinho eu sabia que ela ja estava sugando direito, com esse método ela passou a engordar e eu parei de sentir dor ao dar de mamar, eu sentia muita dor nesses dois primeiros meses da vida da minha filha, mas por ela eu fiz e faria todo o sacrifício novamente, meu marido tb foi meu esteio e apoio nesse momento tão complicado era ele quem colocava a sonda na boquinha da minha filha enquanto eu colocava o bico do meu seio ao mesmo tempo, quantas noites perdidas de sono ele tem até hoje ao meu lado cuidando do nosso maior tesouro, por isso tudo hoje tb apoio a amamentação, meus laços com minha filha são muito estreitos, eu amamento até hoje e se Deus me permitir continuarei até quando ela quiser,tenho comigo hoje uma bebê super saudável, que ri e brinca o tempo todo nada melhor do que isso. grande abraço pra vc

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  3. Você conseguiu!! Assim como a Ceila, fiquei emocionada :) Parabéns pela perseverança, Thaty!!

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  4. Querida, usarei emprestada as palavras que li aqui "a amamentação era um vinculo que a cesárea não havia me roubado" e é isso mesmo que senti! Grande história!

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  5. Andre - pai do Daniel12 de novembro de 2012 09:30

    Tudo Muito Lindo, parece que estamos passando tudo de novo ao Ler, como o Eduardo esta chegando, se tivermos que fazer tudo de novo pode contar comigo...Agora mais experiente que do Daniel...rsrsrsr....Tenho muito Orgulho de ter uma mulher com tanta garra e tão boa mae ao meu lado...te Amooo

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